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O Informador

Crise passageira

Nos últimos anos os portugueses têm vivido sobre a nuvem dos cortes por todos os lados. É nos salários, nos impostos, nas poupanças, nos aumentos dos bens necessários... Agora e porque o hábito da poupança tem ajudado a melhorar os orçamentos do país e de cada um, vejo que já não existe tanto medo e que o estado financeiro de todos nós está a recuperar o que tem vindo a perder nos últimos tempos.

Há uns meses para cá que noto que existem mais pessoas pelos centros comerciais e pelos espaços logísticos, com sacos na mão e a falarem de compras. O medo e a opressão financeira com que se viveu há uns tempos tem vindo a passar e o facto das notícias também mostrarem - lentamente, é uma verdade -, que a crise está a ser ultrapassada aos poucos, pode ter alguma influência na perda de receio na hora de se apresentarem as notas ou os cartões para serem feitos os pagamentos de algo necessário ou desejado.

A crise tem afetado todos mas também tem ajudado ao auto controlo de cada um no momento de gastar, pensando-se duas vezes se é mesmo necessário comprar ou recuperar algo que talvez nem faça assim tanta falta. Nos supermercados começou-se a olhar para os artigos de outra forma, optando muitas vezes pelas marcas brancas que também oferecem bons produtos. Nas viagens, o preço começou a ser importante na hora da escolha, seja em nome privado ou empresarial. Nas saídas, o pensamento começou a recair também no dia seguinte porque não se pode gastar muito de uma vez para depois não ter.

Acredito que o estado em que Portugal esteve com toda a crise e com todo o bombardeamento da imprensa com tal facto tenha ajudado à mudança de mentalidades para que o futuro seja melhor e hoje vejo que possam existir melhoramento, embora calmos, mas eles existem.

A história da Ministra

Maria Luís Albuquerque anunciou, através de conferência de imprensa, as novas medidas do orçamento do estado para 2014 e enquanto a senhora falava em direto para todo o país, eu, que estava a jantar, deixei-me embalar. Comecei a dar por mim a ouvir o que era dito e a perceber que aquilo não era um comunicado, mas sim uma leitura de um conto poético!

Não ligando ao que foi anunciado e às fortes medidas de continuação da austeridade que irão ser colocadas em prática, ouvir a dona Albuquerque transportou-me para os tempos de escola primária. A professora lia a história de forma pausada como se estivesse a relatar uma beleza rara que todos deviam admirar. A ministra contou tudo o que vai ser implementado de forma histórica, contando passo a passo o que irá ser feito, mostrando que o estado tem razão e sabe o que está a fazer e tudo foi transformado num momento de beleza porque as palavras lidas saiam como se de um poema se tratasse, tal a inspiração dos seus autores.

No elaborado discurso que foi preparado só faltou mesmo a cena final em que todos os contribuintes começavam a chorar com pena da pobre senhora que era a grande protagonista e narradora desta história. A Maria Luís não fez um comunicado ao país, porque aquilo pareceu-me mais uma lamentação de quem merece o perdão e uma tentativa para que todos percebam o quanto os nossos governantes estão a sofrer com o dinheiro que nos têm tirado. Para mais com o tom como foi contado e com as pausas bem pensadas que foi tendo, tudo foi perfeito para a apresentação de um bom livro que se poderia tornar num novo best seller nacional. 

O Passos e o Portas deveriam estar naquele momento lado-a-lado com os lencinhos de papel de tão emocionados estarem com o conto que criaram para a verdadeira artista da palavra relatar! Emocionante!

Dias de descanso

BarcoÉ tão bom poder tirar uns dias e em boa companhia partir em busca do nosso país e dos magníficos lugares que existem para visitar. Por aqui passei umas belas horas a desfrutar da paisagem, do fresco que vinha da natureza e pesquisando pelo mundo da internet, estando um bom livro ao lado também a ser lido. 

Com um bom ambiente tudo se proporciona para se poderem passar momentos de descanso, conversa, leitura e conhecimento. As horas parecem passar num ápice e quando se dá por isso já se está na altura do regresso indesejado à vida normal, a de casa, do trabalho e dos problemas da rotina diária.

O que é bom sabe sempre a pouco e o que acaba por me confortar é saber que sempre que possível posso voltar aos locais onde me sinto bem.

Bebés aprendem palavras ainda na barriga

Os futuros pais que andam por aí que se ponham finos se querem ter uma criança que não diga asneiras e não comece assim que diga as primeiras palavras a mandar tudo e todos para o outro lado. É que o novo estudo afirma que ainda na barriga, os bebés aprendem as palavras e depois assim que nascem retêm-nas para mais tarde as colocarem em prática.

Parece que as crianças absorvem as palavras que ouvem mais vezes enquanto estão na barriga da mãe, isto segundo um novo estudo da Universidade de Helsínquia, da Suécia. Pronto, é só na última fase que têm de ter um maior cuidado com o que dizem, mas é necessário estarem em alerta não vá o pequeno rebento reconhecer o que não deve e depois reagir a essas palavras feias.

Meninos que estão à espera para serem pais pelos próximos meses, atenção com o que andam a dizer pelas redondezas da barriga porque não quero ter um sobrinho emprestado a saber dizer o que não deve.

Já agora, podem saber mais sobre este estudo na notícia do TVI24.

A família gabarola

As pessoas gostam de ter orgulho na sua família, mas agora não me venham com as tretas do «amo-te muito amor» e do «ai mana és a minha vida» para as redes sociais todos os dias porque o que é demais enjoa e quando as coisas são ditas várias vezes e sempre com a mesma ideia é porque talvez as palavras que são atiradas ao ar não querem mesmo mostrar o que dizem.

Mas que nervos que algumas pessoas me fazem. Andam elas pelo Facebook a toda a hora, porque não trabalham e os seus maridos é que são os escravos lá de casa, a gabarem-se da boa relação que têm como irmãs, a publicarem fotografias do que os seus maridos lhes oferecem a pedido das mesmas e com um agradecimento - «Obrigado amor por este presente!» - e depois todos percebemos que aquela coisa ridícula que tanto apregoam é porque gostam de se fazerem superiores aos outros, querendo provar que estão bem casadas, que têm os melhores maridos e filhos do mundo e que são felizes assim, com as suas vidinhas como más donas de casa e que é nas compras que se sentem bem para mostrarem que levam 500 euros para gastar e que só gastaram 400, tendo depois as pessoas que as têm adicionadas na rede social já por gozo e não por amizade, de saber que lhes sobrou dinheiro depois de uns belos sapatos e malas terem sido comprados. Elas não percebem, mas são ridículas com o que anunciam e mostram, então com algumas das imagens que são publicadas é mesmo de riso. Acho que nenhum marido gosta de ver a sua mulher desnudada para quem a quiser ver, não é verdade? Pois, eu achava que isso seria o normal, mas depois de ver algumas fotos em que elas estão ao lado deles em propósitos menos decentes percebo que aquilo por aqueles lados é a prata da casa.

E os paizinhos das meninas? Ui! Gabarolas é o que é! Não se calam e assim que vêem alguém que as conhece acham que queremos logo saber das suas vidas! «Elas estão tão bem encaminhadas!»... Foram mães bem novas para prenderem os namorados com medo que não chegassem outros, não trabalham, vivem de más aparências, mas são a luz mais ofuscante da família porque são um orgulho de meninas que são tão perfeitas! Ai que nervos! Só digo que quando os vejo ao longe só me apetece fugir para não ter que ouvir histórias ridículas e que não quero saber porque para gozar já basta com o que as filhas partilham pelos seus perfis de Facebook.

A sério, aquela família é de louvar aos céus e o que vale é que quando apanho uma publicação no exato momento em que estou pela internet sempre dá para me rir um pouco com o que é dito e mostrado! «O meu orgulho de marido ofereceu-me um presente!»; «A minha irmã está linda com os seus sapatos novos!»; «A mala que o meu amor me ofereceu e eu nem queria!»; «A imagem da família perfeita!». Enfim, tanto disparate junto que até mete dó!

Aos 26 bebi ao pé dos pais

Sim, é verdade! Foi ao longo de 26 anos que deixei as bebidas alcoólicas de lado quando estava ao pé dos meus pais. Não sei por que razão sempre fui fazendo isto, mas foi acontecendo e como não temos o hábito de se beber em casa, quando eram encontros familiares eu não bebia nada com álcool por eles estarem presentes.

No último almoço de família a sangria apareceu na mesa e eu que nem estava como condutor nem nada não consegui resistir. Enchi o meu copo com sangria, pela primeira vez, perto dos meus pais. Meu pai não disse nada e na volta nem reparou, agora a minha mãe deixou logo escapar, «vais beber?». Acho que não respondi, mas devia ter dito, «não, vou só comer para ficar engasgado!». Estou a brincar e era para fazer a piada! Eheheh!

Mas é verdade, nunca tinha bebido perto dos meus pais e pronto agora já o fiz e sem pensar se devia ou não... Queria sangria e coloquei-a no copo, sem pensar em quem estava por perto! E não me fiquei por um copo, nem dois, nem três... Foram mais! Depois disso ainda veio o licor! Perdi a vergonha sem me dar conta!

Sempre fui um menino tão bem comportado ao lado dos papás que até me dá nervos de mim próprio!

Educar com presentes

Na sociedade dos dias que correm é cada vez mais comum ver os pais sem tanto tempo para os filhos como acontecia há uns anos atrás. Não sou pai, mas tenho visto que as crianças são cada vez mais conquistadas com presentes, faltando a base de tudo, faltando o que eu tive.

Acredito que existe uma percepção geral de que o consumismo, mesmo em altura de crise, é forte no que toca a comprar crianças. Os pais muitas vezes para verem os seus filhos bem e contentes dão-lhes o que pedem e esquecem que é através dos afetos e da proximidade que existe educação.

As crianças têm tudo e conseguem ter tudo dos seus pais e familiares mais próximos e mal começa a aparecer uma birra logo se muda tudo com a compra de algo que é pedido. A ausência dos pais, devido às várias horas de trabalho, também acontece numa maior escala e isso ajuda a esta compra com presentes que os pais fazem.

Educar não é isto, pelo menos eu não fui educado assim e não fui habituado a ter tudo o que pedia. Sempre tive um dos meus pais mais presente que o outro, mas cedo comecei a perceber que podia pedir, mas eram mais as vezes que não tinha o que queria do que o contrário.

Hoje não se educam as crianças, hoje compram-se os filhos para se compensarem as horas de ausência e a falta de paciência que se agrava com o stress social que existe!

Pobres com vida de ricos

Isto é uma das velhas questões... Quem não tem poder monetário para ter uma vida razoável é quem faz vida de rico, não tendo medo de comprar tudo o que lhe aparece pela frente, não tendo medo de ter filhos e mais filhos, sempre com um sorriso na cara e coisas novas por perto.

Faz-me confusão como é que um casal com três filhos, com uma casa com condições menos boas e em que só um membro da família trabalha, passa a vida de um lado para o outro, indo mais que cinco vezes ao café, sempre com os miúdos a comerem alguma coisa de que não era necessário... Depois ainda vejo essas crianças com telemóveis novos e a falarem que os pais compraram isto e aquilo! No que toca à roupa podem ter algo novo nos seus corpos porque é dada por quem tem pena, menos mal...

Faz-me mesmo confusão como estas cinco pessoas vivem diariamente só com um ordenado que não deve passar os mil euros, pagam renda de casa e todas as despesas a si associados.

Um rapazito que não faz nada, uma miúda que estuda e a mais pequena que anda todo o dia a ser empurrada no seu carrinho pelos irmãos ou mãe. Faz-me uma certa relutância como aquele homem consegue ganhar, nos dias que correm, para poderem beber tantos cafés e minis acompanhados por batatas fritas e afins a qualquer hora do dia.

Sabe-se que as refeições se baseiam, na maioria dos casos, em enlatados, e embora não sendo isso a melhor solução para os três menores, eles têm sobrevivido.

É realmente ingrato falar disto, mas o que vejo é que as famílias que têm menos condições sociais e económicas, são as que fazem uma vida mais despreocupada, sem pensarem se amanhã existe dinheiro ou não. Compram, pedem emprestado, ficam a dever, mas o que é certo é que eles sobrevivem.

Nós que andamos a lutar contra a crise e sempre com medo que o dinheiro nos falte sentimos essas preocupações afinal sem necessidade, não?!

Pais e filho... Chatice!

Viver com os pais tem destas coisas, todos os filhos se queixam dos seus progenitores e eu não sou excepção, claro está! Quase todas as manhãs acordo e logo me chateio, principalmente com a minha mãe.

Podem dizer que se tem que ser mais calmo e fazer um esforço e tal e tal, mas é que não consigo deixar de responder a alguma coisa que me irrite logo nos primeiros momentos após ter acordado. Não sei se sou eu que nunca tenho paciência para os ouvir a reclamar ou se são eles que reclamam demais por tudo e por nada.

É de manhã à noite, sempre a chamar a atenção por tudo o que se faz ou não. É porque deixei uma luz ligada, mas por vezes ainda estou a usar a claridade dessa mesma lâmpada, é porque tenho a máquina de café ligada e ainda não tirei o café. Também existe a chatice de vestir uma roupa e dizerem que está frio para aquelas peças, mas quem as veste sou eu, não? Depois é porque caiu uma migalha do croissant e não a apanhei...

Viver com os pais tem coisas boas, mas também dá muita zanga e stress ao longo das horas em que estamos juntos. É incrível como nunca existe um dia em que esteja tudo bem, o que hei-de fazer para os acalmar e não os ter tão stressados ao longo do tempo que estou perto deles?

Agora estou em casa há mais de uma hora, mas como ainda não sai do quarto e do computador ainda nada aconteceu, mas daqui a pouco já sei que algo vai estar mal, seja por que motivo for.

O mal será meu, dos filhos em geral ou mesmo dos pais? Será que quando me tornar progenitor também serei assim, sem paciência e implicante com tudo o que seja feito pelos mais novos?