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O Informador

Pensamentos que podem ser de qualquer um!

20
Jun18

Vizinhança no Controlo

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Incrível é viver numa aldeia, numa rua estreita com nove casas e perceber que estejamos a entrar ou a sair não é fácil não se ser detetado. É verdade, sempre alguém surge no quintal ou mais frequentemente a sacudir o seu tapete na janela no momento em que se fecha o portão na chegada ou partida. Vizinhança assim não é para todos!

Diria até que estes vizinhos são melhores que a polícia municipal. Guardam tudo, dão fé de tudo e conseguem saber quem está em casa ou quem anda na vadiagem após os horários de trabalho que talvez até tenham apontados em listas presas com um íman ao frigorífico. Ao sair de manhã, lá surge alguém por um quintal vizinho, para receber os bons dias. Já ao almoço se estiver a chegar, sempre ou quase sempre, tenho uma vizinha a sacudir tapetes. Já me perguntei quantos tapetes existirão naquela casa ou se será sempre o mesmo, aquele que está na porta de entrada, pronto para lhe pegarem e saírem para o quintal como premissa para verem se os vizinhos trazem ou não sacos consigo. Ao final do dia a mesma coisa acontece, sempre com alguém a surgir de uma porta ou janela para mirar quem sai e quem entra, com companhia ou a solo, sacos ou mochilas. 

Viver numa aldeia onde todos se conhecem é assim, controlo ao mais alto nível da vizinhança mais desocupada e que gosta de saber tudo o que se passa pelos arredores, dentro e fora de portas. Basta um descuido e a vida privada fica pública, pelos menos os horários de entrada e saída de casa estão controlados, sabendo-se também quando recebemos visitas, quando o correio chega, as compras mais volumosas que foram feitas e até quando se fica uma noite fora de casa e o carro não está na rua como habitualmente pela manhã. 

29
Mai18

Mau começo profissional

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Podem-me achar chato e mesquinho, mas no campo profissional sou mesmo assim e existem falhas que não cometo, não aceitando serem praticadas por parte dos outros. Para quem não sabe, estou de saída da empresa onde estive ao longo do último ano, optando por sair por não me sentir bem num trabalho que não me dá o mínimo entusiasmo. Com o arrumar de casa com a minha saída, sem entrar uma pessoa para o meu lugar mas tendo a empresa optado por baralhar o trabalho que três faziam, distribuindo-o por duas pessoas já na empresa e duas novatas. Até aí tudo bem, embora não se perceba a razão do quarto elemento no caso, mas passando essa questão... Quando se fazem entrevistas, a pessoa fica escolhida, tudo fica combinado sobre o dia especifico em que a entrada dessa mesma pessoa na empresa acontece e uns dias após tudo estar combinado, eis que um telefonema onde pedem para entrarem um dia após o previsto porque terão de ser acompanhantes de um parentesco a um consulta surge.

Podem criticar-me por ser insensível, mas existem situações que quando podem ser resolvidas de outro modo, não há como complicar. Para mim naquele momento a pessoa ficou automaticamente apresentada e a mostrar com o que poderão contar a partir de então. Se logo no primeiro dia combinado para iniciar não marcará presença, então o que fará daí em diante? Ao longo de mais de dez anos na empresa onde tive o meu primeiro emprego somente faltei um dia por doença, tendo resistido a tudo, chegando dois dias atrasado devido a trânsito complicado onde todos chegamos após o horário. Como querem que um complicado com horários e faltas, baixas médicas e lentidão laboral consiga aceitar um pedido para entrada ao trabalho um dia após o combinado?

Se querem assim tanto o lugar têm de o agarrar e não mostrarem logo à partida o que poderá acontecer de forma constante. Naquele momento em que me apercebi sobre esta opção pessoal de alguém logo pensei que se fosse eu a ter feito a escolha teria optado por recorrer à segunda opção e descartado quem já estava escolhido, mas como cada um pensa de modo diferente, lá se terá safado. 

09
Mai18

«Obrigado!» pelo «Bom dia!»

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Custa a muitos os primeiros momentos do dia, mas custa também passar pelas pessoas irritadiças da manhã, aquelas que não conseguem cumprimentar com quem se cruzam, murmurando de quando em vez algo entre dentes só porque sim e sempre com medo que do outro lado possam colocar conversa.

Talvez não seja a melhor pessoa para falar de bom humor matinal porque não existe em mim boa disposição pela primeira hora do dia, para mais quando o trabalho espera, mas pelo menos consigo não mostrar aos outros o que me vai na alma. Interiormente posso estar todo queimado e cheio de nós no pensamento, a desejar que não falem muito porque existem dias que nem raciocinar tento nos primeiros momentos, mas pelo menos disfarço e raramente sou detetado. 

Chego ao trabalho cinco minutos após sair de casa e quando deixo o carro o rosto muda obrigatoriamente de expressão porque não sou de demonstrar aos outros o meu mau humor. Como consigo disfarçar exijo um pouco mais dos comportamentos de com quem me cruzo para irem de encontro ao que defendo. Será que o mundo que nos rodeia é assim tão mau para não se transmitirem os «bons dias» aos colegas? Poderia pensar que o mal podia estar na pessoa a que o mal humorado tem de cumprimentar, mas quando o mesmo comportamento matinal de um ser acaba por ser colocado em prática perante toda uma equipa a perceção acaba por ser exatamente universal, mostrando que o mal está no mal humorado da manhã e não nos outros. 

 

27
Abr18

Crianças expostas nas redes sociais

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Num momento em que a imagem das crianças é um dos temas centrais de várias discussões públicas, pergunto-me se os pais têm o direito de publicar imagens dos seus próprios filhos pelas redes sociais. 

Sabemos que enquanto menores de idade as regras são impostas pelos progenitores ou responsáveis pela educação dos mais pequenos, mas estará esse poder parental capacitado para expor o dia a dia de crianças? Existem casos e casos e é nesse ponto que o tema diverge por vários prismas, uma vez que se a maioria das publicações partilhadas estão dentro do correto e aceitável, sem qualquer exposição desagradável, existem pessoas que não medem o perigo perante certas imagens e é um «vai tudo para os outros verem».

Na maioria dos casos os publicadores de imagens de menores pelas suas redes sociais só colocam o mínimo e em momentos de lazer, só que algumas figuras, que talvez lhes tenha saltado um pouco de consciência, conseguem não perceber que as suas partilhas pessoais são uma coisa, mas quando se envolve a imagem de menores há que ter uma certa contenção porque nem tudo é publicável perante conhecidos e desconhecidos. Sou defensor da não partilha de imagens de crianças, só porque sim, enquanto pequenos de meses então é totalmente dispensável.

Com o tempo e de forma normal, as publicações com a família, num ambiente normal vão acontecendo, sem que se tenha de forçar com o pensamento de que a primeira imagem tem de ser a perfeita, aquela que é tirada propositadamente para colocar no Facebook. As coisas, como em tudo na vida, têm de acontecer de forma natural, com o tempo, defendendo sempre a criança perante a sociedade que não tem de encontrar imagens inconvenientes de menores, como muitas vezes encontramos ao serem expostas por adultos que não medem o perigo e sem noção do que vão publicando dos mais novos. Há que ter muito cuidado com o que é mostrado aos outros, não tendo de criar um ambiente especial para fotografar como alguns também fazem para ficarem bem na fotografia de pais perfeitos quando na verdade mostram o que não existe na realidade. Mas isso são outros quinhentos. Por aqui quero mesmo que percebam que a partilha pelas redes sociais da imagem da criança é para ser levada com normalidade, resguardando um pouco a fase de bebé e mostrando com a naturalidade das publicações, sem criar aquele destaque, tendo sim sempre o cuidado com a forma de exposição que é feita. Porque o bonito é bom mas as más imagens podem criar alguns dissabores a médio ou mesmo a longo prazo. 

12
Abr18

Perfis pessoais partilhados

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Há uns anos parecia ser uma moda absurda, hoje continua a ser ridículo mas com uma existência em menor escala. Falo dos perfis nas redes sociais de casais que se juntam para partilharem Facebook, Instagram e as restantes plataformas de partilha online por onde abrem conta. O que significará para os casais unirem os seus perfis num só onde tudo o que é publicado pertence aos dois, não se sabendo ao certo quem publica, quem poderá estar do outro lado, caso se tente perguntar alguma coisa ou comunicar por mensagem privada e a situação acaba por ser tão caricata como psicadélica. 

No meu pensamento é um autêntico disparate, daqueles erros tão grandes como se alguém tivesse de partilhar os seus talheres enquanto está a comer. Qual a necessidade de namorados e casados terem uma conta em comum pelas redes sociais? Só tenho uma explicação que posso resumir em duas palavras. Ciúme e controlo. Mulheres e Homens que não confiam nos seus parceiros e tentam assim que os mesmos não sejam livres no mundo da internet para que não falem com desconhecidos, visto os comentários e conversas depois ficarem visíveis perante a visita do outro, controlando-se assim tudo o que se fala e partilha perante as amizades virtuais que podem, em alguns casos, passar para a realidade. 

31
Mar18

Amizade entre Sexos

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Vivendo numa sociedade livre e onde o preconceito continua a ser debatido, continuam a existir situações tão caricatas para serem ultrapassadas que temas como o racismo e a homossexualidade parecem continuar assim bem distantes de serem estancados como preconceitos do passado. Falando de uma coisa que teoricamente não causa tanta estranheza em debate público como é o caso da amizade entre sexos e que ainda coloca tantos seres famintos para criarem histórias infindáveis quando um Homem e uma Mulher são simplesmente amigos, sem segundas intenções. Se numa questão de Amizade existe preconceito, como é que vamos lutar contra temas que suscitam mais controvérsia pela falta de bom senso social?

Acho irreal nos dias que correm as pessoas continuarem a interpretar de formas tão bizarras uma amizade entre sexos. Gerações mais velhas, e acreditem que já vivenciei isso com pessoas praticamente da minha idade, que olham para dois amigos, masculino e feminino, e a ideia que ocorre de imediato é que aquela amizade não se fica por ai. Quando um ou mesmo os dois elementos têm relações amorosas mas que não estão presentes, logo se pensa que existe traição, só porque aquela rapariga comprometida está a beber café «com outro» sem o namorado ou marido por perto. Não vamos tapar o sol com as nuvens do céu porque o inferno existe e as mentes retrogradas que por ai andam continuam a rejeitar que entre pilas e mamas não possa existir uma amizade sincera, verdadeira e para a vida.

Sou a prova disso! Os meus melhores amigos são amigas, do sexo feminino, e já cá andamos com várias décadas em cima. Todos sabemos o lugar que ocupamos na vida uns dos outros e quem chega para nos acompanhar na vida tem que aceitar isso, aceite de início ou não. Somos amigos, não somos todos meninos ou meninas, e que mal tem?

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