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O Informador

Pensamentos que podem ser de qualquer um!

Dois Homens Completamente Nus [Força de Produção]

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Sébastien Thiéry criou e estreou em França o espetáculo Deux Hommes Tout Nus em Outubro de 2014 para logo ser nomeado em 2015 como melhor dramaturgo aos Moliére graças também à critica do público. Agora, em 2017 o texto chegou a Portugal, mais diretamente ao Teatro Villaret onde está a ser interpretado por Miguel Guilherme, Jorge Mourato, Sandra Faleiro e Susana Blazer. 

Dois Homens Completamente Nus é uma comédia trágica oscilante e bem conseguida onde André Chaves, personagem interpretada por Miguel Guilherme, se vê envolvida de forma embaraçosa numa situação caricata. É que um certo dia acorda em sua casa, completamente nu ao lado de um outro homem, seu sócio na empresa de advogados. A partir daqui está dado o mote para todos os embaraços que se sucedem em catadupa para que se tente provar como aquilo aconteceu a si próprio e junto da esposa, papel a cargo de Sandra Faleiro. Andará André a dar facadas no casamento com uma relação homossexual? O mais estranho de tudo isto é que aparentemente nenhum dos dois se lembra de ter chegado ao local e do que possa ter acontecido até acordar, lado a lado, e sem qualquer peça de roupa no corpo. Como explicar toda a situação e perceber o que se anda a passar entre sócios? E como provar que não existem mentiras no casamento? 

Muito acontece com a criação de situações para sempre provar que nada daquilo é o que parece, mas... Será que ao provar que existe um culpado que não é o próprio não se correrá o risco de cair na própria armadilha para se perceber o que não se quer saber?

Do início ao fim e graças a um excelente e rápido texto e a uma interpretação sem mazelas, Dois Homens Completamente Nus é daqueles espetáculos fluidos que começam e são levados tão bem até ao fim que pouco se nota a passagem de tempo. O riso é uma constante com todas as situações caricatas que vão acontecendo entre as personagens que vivem perante um drama psicológico que se começa em drama, termina de igual forma em drama. 

Quem Tem Medo de Virginia Woolf? [Força de Produção]

QUEM-TEM-MEDO-DE-VIRGÍNIA-WOOLF-Por-Força-de-Pro

Edward Albee é o autor de um dos maiores clássicos contemporâneos da dramaturgia que mais tem corrido o Mundo ao longo de décadas e agora volta a estar em cena entre nós e com Alexandra Lencastre e Diogo Infante a darem vida ao casal Martha e George. 

Quem Tem Medo de Virginia Woolf? é um texto que todos os atores em determinada altura da sua vida anseiam dar vida e desta vez a ambição está do lado de Infante e Lencastre que ao lado dos jovens Lia Carvalho e José Pimentão dão vida a personagens que se confrontam entre a realidade e a ilusão numa autêntica queda livre sobre as complicadas relações conjugais.

Num serão de festa em casa do pai de Martha, reitor da universidade de New Carthage, onde George é professor e responsável pelo departamento de História, Martha convida um jovem casal a fazer-lhes companhia em sua própria casa após o serão animado. E a partir do momento em que a anfitriã revela a chegada das visitas que a discussão começa, iniciando-se assim uma crise que coloca a vida do casal de meia-idade a ser desfiada enquanto a bebida vai ajudando, ao longo de todo o encontro, a que o abismo recheado de revelações do passado, que afetam o presente, seja contado aos convidados que aos poucos caem na teia e nos «jogos» psicológicos que George cria para moldar os que estão à sua volta consoante a sua vontade, isto após ser humilhado por uma mulher egocêntrica, alcoólica e muito dada a novas experiências, se é que me faço entender, e pelos próprios convidados. Uma vida a dois completamente falhada com as falhas profissionais e pessoais a ser desvendadas e lembradas enquanto se vão magoando mutuamente. Afinal de contas não existem as famílias perfeitas que circulam em paz e comunhão à vista de todos, porque no interior de quatro paredes sempre existem problemas entre casais, problemas esses que vão sendo acumulados ao longo do tempo.

Quem Tem Medo de Virginia Woolf é uma critica à sociedade oprimida e que vive de aparências, fazendo recurso a um casal que se gosta mas que também se usa para se mutilar mutuamente como forma de escape enquanto estão sós e fora do olhar de quem está por fora do enlace e da verdade. 

Num texto duro e violento, Edward Albee exprime de forma desconcertante a verdade, confronto, traição, imaginação, provocação e muita loucura num serão complicado mas que não passa de um momento alto do que é um pouco o dia a dia das pessoas que se reprimem para não terminarem o que existe numa relação de forma alguma. 

Curtas e Diretas #79

Fim-de-semana de Páscoa significou duas idas ao teatro! Sábado pelas 21h00 fui enfrentar Quem Tem Medo de Virginia Woolf pelo Teatro da Trindade, onde Alexandra Lencastre, Diogo Infante, Lia Carvalho e José Pimentão tomam conta do palco e hoje, Domingo, pelas 16h30, foi a vez de assistir a Dois Homens Completamente Nus com Miguel Guilherme, Jorge Mourato e Sandra Faleiro. Durante a semana contarei a experiência sobre ambos os espetáculos aqui pelo blog!

Por ai alguém foi ao teatro? Já sei a resposta mas é bom manter a esperança!

Os 39 Degraus

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O regresso de Rita Pereira aos palcos é um fator irresistível para assistir à comédia teatral Os 39 Degraus, mas esta produção da Yellow Star Company está tão bem conseguida, em termos de encenação e casting, que todo o elenco conquista e rapidamente nos esquecemos do rosto mais conhecido e entramos no mundo misterioso do crime que envolve um gentleman inglês interpretado por Pedro Pernas. 

Em cena no Teatro Armando Cortez, Os 39 Degraus, conta no elenco também com João Didelet, que dispensa apresentações pela sua excelente presença em palco, principalmente em papéis cómicos, e também com Martinho Silva que se mostra bem competente e uma surpresa dentro do estilo. Com uma história meia baralhada e enrolada com o trás e volta, corridas e fugidas para que se mantenha o mistério longe das garras dos inspetores, outrora policiais ou simplesmente capangas do crime, a intenção é proteger o segredo que envolve algo, que não vos posso contar, que é apelidado por 39 degraus. Começa tudo ai, com o solitário inglês a ter contacto com o possível segredo, uma morte e a fuga. Entre fugir e voltar ao local de partida, tudo e mais alguma coisa acontece, cruzando-se esta personagem com várias criaturas humanas bem peculiares e que habitam por lugares tão estranhos como tudo o que acontece ao longo de praticamente cem minutos e talvez uns trinta e nove segundos. 

Neste espetáculo o que destaco mesmo é, sem margem para dúvidas, a boa prestação dos atores que têm uma encenação fantástica ao encargo de Cláudio Hochman que com pequenos pormenores e comentários aliados a expressões faciais e corporais, que parecem estar fora de contexto mas que acabam por encaixar no desenrolar da história, conseguem convencer e entreter com bom tom o público do início ao fim. Rita Pereira, quem não a vê como atriz multifacetada que lhe coloque os olhos em cima e depois volte a opinar. João Didelet, o homem dos palcos e com visão de encenador. Pedro Pernas rigoroso e competente. Martinho Silva, o ator que é a surpresa com bonecos bem realizados. 

Todos ao palco no Dia Mundial do Teatro

Adoro teatro e isso para quem segue o blog não deve ser novidade alguma! Hoje, 27 de Março de 2017, celebra-se por mais um ano o Dia Mundial do Teatro e todos mas mesmo todos, dos mais pequenos aos graúdos, que mostram não serem recetivos a uma visita a uma sala onde uma história é contada ao vivo, deveriam neste dia parar para pensar que talvez pelo menos uma vez por ano pudessem dar uma oportunidade à representação.

É tão bom estar sentado numa sala onde tudo pode acontecer e deixar que cada personagem que nos é apresentada nos transporte para algum local e tempo criando sentimentos que nos fazem transbordar as emoções e viver por vezes numa montanha russa onde passamos com os atores do riso ao choro de forma tão fácil ao longo de aproximadamente duas horas. Quem ama representação tem de saber ver o mesmo ator na televisão, no cinema, no teatro e até pela rua a fazer o que tão bem desempenha enquanto interpreta uma personagem que lhe pode não dizer nada mas que terá um significado bem diferente para cada assistente. 

Avenida Q

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As expetativas com Avenida Q iam altas mas tenho que dizer uma coisa a quem pensa ir ver! Vão porque tudo o que podem esperar é um excelente musical importado diretamente da Broadway. Bom demais e acima de qualquer ideia com que se possa entrar no Teatro da Trindade para assistir a hora e meia de pura diversão. Fiquei rendido do início ao fim sem qualquer falha de atenção. Isto é (pausa e tambores) muuuuuuito boooooooooooooooom!

Não li longos comentários nem a sinopse de Avenida Q, só ouvindo conversas de café e alarido nas redes sociais em torno deste espetáculo adaptado em Portugal pela Força de Produção. Rapidamente fiquei com vontade de ver para perceber afinal a qualidade do que diziam ser tão bom e que andava a esgotar todas as sessões. Fui e só tenho a dizer que este musical é uma grande lufada de ar fresco do que tem sido feito entre nós em termos teatrais. 

O público é convidado a conhecer os habitantes de um «condomínio» de uma qualquer rua lisboeta onde pessoas e monstros coabitam sem qualquer preconceito. Perdão, todos somos preconceituosos e não vale a pena arranjar justificações contrárias. Este é um dos primeiros temas a serem debatidos onde o racismo, a homossexualidade, os medos, o amor e a profissão tomam lugar porque afinal de contas conseguimos vencer mas também cometer diversas falhas ao longo das oportunidades que a vida nos dá. Avenida Q é um consciencializador social que de forma divertida toca em temas sensíveis e que acabam por estar nas proximidades ou em qualquer um.

Entre bonecos que misturam o universo de Rua Sésamo e os Marretas e atores de carne e osso, esta avenida tão bem frequentada é daquelas produções que todos devem e têm a obrigação de ver porque se existe alguma coisa bem feita neste momento no teatro nacional é Avenida Q, que sem falhas, com um bom texto, toques bem colocados na adaptação para a nossa realidade social e um elenco excelentemente competente consegue chegar junto do público de forma eficaz, provocando e sem cansar. 

Ana Cloe, Artur Guimarães, Diogo Valsassina, Gabriela Barros, Inês Aires Pereira, Manuel Moreira, Rodrigo Saraiva, Rui Maria Pêgo, Samuel Alves, Artur Guimarães, Luís Neiva e André Galvão formam um elenco, entre fixos e substituições, tão coeso que se percebe que existe amizade e carinho em palco onde a cumplicidade das personagens parece ir muito mais além dos momentos que são vistos. Quando as pessoas se gostam percebe-se e neste espetáculo todos se gostam e acima de tudo, todos estão a gostar de estar em Avenida Q onde a Marta Monstro, a minha monstrinha favorita do musical, a irreverente e provocadora Paula Porca, o sonhador e aparentemente solitário Luís se juntam a outros colegas bonequeiros para comporem o lote de rostos que desfilam assim a sua vida em palco, aquela vida que pode muito bem traduzir a de qualquer um de nós. 

Amália - O Musical de Filipe La Féria

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Filipe La Féria criou e em 2000 estreou o seu maior sucesso em musicais. Amália - O Musical de Filipe La Féria, inspirado na vida de Amália Rodrigues chegou e logo conquistou o público para que a sua primeira e longa temporada durasse mais de três anos com a passagem pelas mil representações no Teatro Politeama e com uma tournée nacional onde o Porto recebeu este musical tão aplaudido. Agora, quase quinze anos depois da última sessão, eis que o regresso aos palcos acontece e o sucesso volta a espreitar esta produção do produtor que tem lutado pelo teatro em Portugal.

Com Alexandra de novo à frente de um elenco onde constam nomes como o de Anabela, Carlos Quintas, Hugo Rendas, Patrícia Resende e Tiago Diogo, o espetáculo Amália, cujo não vi da primeira vez, marca assim o seu regresso com uma estreia auspiciosa, levando a assistência para o mundo da fadista que levou o nosso país além fronteiras. A criança que foi, excelentemente interpretada, a jovem e a grande e soberba diva do fado com que caminhou até à morte fizeram de Amália Rodrigues um ícone. Uma criança que cantarolou pelas ruas de Lisboa e que desde cedo, mesmo contra a vontade familiar, foi conquistado quem a ouvia para que se iniciasse nos palcos, aqueles palcos que a levaram ao estrelato onde Paris, Rio de Janeiro e o Japão estiveram na sua agenda de espetáculos ao longo de uma vida onde os amores não foram esquecidos mesmo em tempo de revolução política. 

Em Amália - O Musical de Filipe La Féria toda a vida de Amália é recontada de forma cativante, emotiva e festiva onde o Fado toma lugar entre textos e guitarradas que puxam pelo público para que não sinta que esta produção não é mais uma, é a melhor da autoria de La Féria, aquela que fez sucesso e que agora voltou com um elenco renovado mas com estrelas de outrora a interpretar os mesmos ou outros papéis porque o tempo passa mas a marca deixada entre nós de Amália jamais ficará esquecida. 

Filipe La Féria está de novo de Parabéns por voltar a apostar num sucesso que tanto público recebeu e que está disposto a voltar para recordar. Com duas pequenas atrizes a darem os primeiros passos e com garra para o Fado, com uma Anabela adorada pelo espetadores do Politeama e com Alexandra que por muito que se vá, como eu ia, com a ideia que iria ver mais do mesmo, fiquei deveras surpreendido com a estrela maior que enquanto Amália na fase mais velha encanta logo de início ao lado da pequena Amália que conquistou desde logo pela sua simplicidade em palco. 

Quase Normal

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Na Broadway estreou, venceu vários prémios e agora brilha no Auditório do Casino Estoril. Falemos então do musical Quase Normal, escrito por Brian Yorkey e adaptado pela ArtFeist para o público nacional. Lúcia Moniz, Henrique Feist, Diogo Leite, Mariana Pacheco, Valter Mira e André Lourenço protagonizam esta produção onde uma família se vê perante a bipolaridade que de um momento para o outro distorce o rumo de vida das pessoas que estão em torno da pessoa que aos poucos se vai abaixo. 

Lúcia Moniz é a mulher bipolar de Henrique Feist, pais de Mariana Pacheco. Este trio de atores compõe o centro de toda a ação de Quase Normal. O que a bipolaridade afeta quem a tem e os que a rodeiam, essa é a verdadeira questão deste musical que também pode ser levado a palco como um espetáculo teatral onde a música não tem lugar. O efeito, as tentativas de cura, as mágoas, a medicação, a ética e os comportamentos sociais são temas debatidos nesta produção que ao longo de duas horas e meia vai desfiando vidas de confronto e conforto que partem do amor para o drama sem deixar de passar por vários momentos cómicos que acabam por desanuviar um pouco determinadas cenas mais pesadas.

Um elenco completíssimo, sem falhas de ponta a ponta, mostrando que Henrique Feist mais uma vez prova ser um mestre no casting. Lúcia Moniz, Mariana Pacheco e Henrique Feist dispensam qualquer tipo de apresentações, já que têm perante o grande público televisivo o carinho conquistado graças aos seus excelentes trabalhados ao longo dos anos de carreira, cada qual com o seu, mas com o sucesso do seu lado. Diogo Leite, André Lourenço e Valter Mira, com menos destaque em palco mas no entanto com um grande à-vontade, uma excelente simplicidade, uma boa voz, provando na verdade que não existem conhecidos e desconhecidos do grande público no palco de Quase Normal, já que todos estão perfeitos, sem oscilações e contrastes. Do elenco para a arte de Nuno Feist, onde o mestre responsável pelo som volta a mostrar, não existem dúvidas mais uma vez que os dois irmãos Feist nasceram para as artes e será sempre pelos palcos que irão continuar a brilhar com o que tão bem sabem fazer. 

Os Dias Realistas

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Mais do que um apelido em comum, os dois casais Dias são vizinhos de vivendas idênticas, quintal com quintal e além disso vivem situações bem semelhantes. Bambi e João mudam-se para a casa ao lado de Margarida e Tó e ao primeiro encontro percebem que existe bastante em comum entre o dia-a-dia de cada casal. Esta é a premissa de Os Dias Realistas, a nova produção da UAU que acabou de estrear no Auditório dos Oceanos do Casino Lisboa. 

Catarina Furtado, João Reis, Manuela Couto e Paulo Pires dão vida aos Dias, as quatro pessoas que se encontram em casal ou ao longo da noite em secretismo com o vizinho para debaterem as questões com que se deparam no seio conjugal. As preocupações, os dilemas e o pessimismo são uma constante entre estas personagens que caraterizam qualquer pessoa que tem na sua vida várias semelhanças com a do vizinho do lado. Todos vivemos de pensamentos positivos e negativos e é com isso com que por palavras e conversas poderemos perceber que afinal nunca nos encontramos sozinhos no Mundo, já que todos têm os seus aspetos comportamentais que podem ter um lado agradável mas também pessimista. 

Com um humor negro, Os Dias Realistas de Will Eno tem nesta adaptação uma interpretação de excelências, sem falhas e com um excelente desempenho de contracena entre o quarteto de atores que o público tão bem conhece. Num texto nem sempre fácil e com vários momentos mais elaborados e puxados para a comédia complexa falta talvez nesta fase inicial de estreia as chamadas de atenção com frases mais chamativas e que puxem de certa forma pelo público presente na sala.

Vencedores dos Bilhetes para O Pai [23-12-2016]

O Teatro Aberto estreou há dias O Pai, uma nova produção da autoria de Florian Zeller e cujo elenco é composto por Ana Guiomar, João Perry, João Vicente, Patrícia André, Paulo Oom e Sara Cipriano. Assisti à estreia e como o que é bom convém partilhar, eis que logo surgiu a oportunidade de lançar passatempo com a finalidade de oferecer convites duplos aos leitores do blog. 

Agora é chegado o momento de revelar os nomes vencedores deste desafio e que amanhã, Sexta-feira, 23, irão assistir a O Pai, pelas 21h30. Vasco Silva, Telma Marques, Sara Alves, Leonor Camilo e Ana Freitas foram os sorteados através do sistema random.org, como tal os felizardos eleitos deste desafio.

Bilhetes para O Pai [23-12-2016]

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João Perry e Ana Guiomar são os principais rostos da nova produção do Teatro Aberto que acabou de estrear e já está a conquistar o público. Com texto de Florian Zeller e encenação a cargo de João Lourenço, em O Pai o debate instala-se sobre a perda de consciência com o avançar da idade onde o meio envolvente de quem envelhece acaba por também sofrer com as alterações da vida que vão sendo impostas. 

Tenho agora cinco convites duplos para oferecer aos leitores do blog, num passatempo bem natalício, já que a sessão a que se destinam estes bilhetes será a de dia 23, pelas 21h30, antecipando assim a entrega dos presentes aos leitores d' O Informador. 

O Pai

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Florian Zeller criou O Pai, a peça que teve estreia mundial em 2012 e que chegou agora pela mão do Teatro Aberto a Portugal. 

Fazendo uma reflexão social acerca da velhice e consecutivamente da exatidão acerca da autonomia, solidão e esquecimento, O Pai parte de encontro aos meandros de um homem que envelhece e que acaba por se ver confrontado com as alterações diárias que estão em mudança constante à sua volta. A casa onde sempre viveu, a perda da mulher, a vida familiar com a filha e o genro por perto e as memórias exatas aliando-se cada vez mais às perturbações mentais fazem de O Pai uma produção que primeiramente consegue também baralhar o espetador que se vê perante situações sobre as quais parece não existir uma sequência, até que com o caminhar da história a perceção dos factos acontece.

Estará O Pai, personagem ao encargo de João Perry, capaz de viver sem ter o apoio da filha por perto ou será esta mesma filha, a Ana, interpretada por Ana Guiomar, que não consegue perceber a realidade e que acaba por ser ela a não ter discernimento exato para localizar o presente em concreto e tal e qual como ele é? Um equilíbrio acontece ao longo desta peça que consegue colocar de certo modo quem está de frente dentro da mente do Pai que não sabe onde está, junto de quem está, baralhado e recordando factos reais com quem não está presente ou vivendo o presente com figuras do passado. 

O Pai reflete a realidade de um ser que envelhece, perde aos poucos as suas forças físicas e mentais e que entre estar lúcido e deambular sem exatidão, acaba por ver a sua vida baralhada. Os que lhe estão próximos seguem os comportamentos familiares de proteção que acabam por ser confrontados com a ingratidão de quem não entende que é necessário proteger os mais velhos quando estes já protegeram os mais novos enquanto estiveram bem.

Uma produção com o selo de qualidade do Teatro Aberto, com encenação de João Lourenço e uma grande interpretação de João Perry e Ana Guiomar, a quem se juntam João Vicente, Patrícia André, Paulo Oom e Sara Cipriano num espetáculo que mais uma vez, tal como é hábito neste espaço lisboeta, cruza o palco com a tela e coloca todo o cenário em movimento com portas que se fecham para darem vida a paredes movíveis, a estantes que se aproximam, a corredores inesperados e a múltiplos espaços que se distinguem pela simplicidade da alteração. 

Vencedores de Há Festa na ASA! [16-12-2016]

A Academia de Santo Amaro tem recebido Há Festa na ASA!, uma Revista à Portuguesa que tem feito sucesso ao longo dos últimos meses. Agora chega ao fim a segunda temporada deste espetáculo e O Informador tem cinco convites duplos para oferecer justamente para a última sessão, que se realiza na próxima Sexta-feira, 16, pelas 21h30. O passatempo que permitia tentar a sorte para vencer estes bilhetes terminou e eis que é chegado o momento de revelar a lista dos cinco vencedores!

Alice, o outro lado da História

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Alice é o seu nome, e o País das Maravilhas a aventura mais conhecida inspirada nesta criança que tem muito mais para ser contado para além das histórias criadas em torno de um mundo mágico recheado de mensagens bem reais sobre os comportamentos humanos. A bYfurcação Teatro pegou na criação de Lewis Carrol inspirada em Alice Liddel e idealizou, criou e levou a cena Alice, o outro lado da História, através de uma experiência de teatro imersivo bem conseguida. 

Inspirando num dos contos que mais sucesso fizeram e continuam a fazer pelo Mundo, Alice foi a menina dos olhos de Lewis, o autor de sucesso que não se ficaria só por ai. Lewis gostava de fotografar crianças, somente meninas, em trajes menores ou mesmo nuas e embora tivesse vários registos fotográficos ao longo da vida nesse sentido com várias jovens figuras, foi com a menina Liddel que as coisas podem ter seguido mais além. No século XIX e em Inglaterra, a cultura vivia muito da aparência e uma criança pousar para a objetiva não era levado a mal, principalmente quando existia a autorização familiar para tal acontecer. No entanto será que entre Alice e Lewis não existiu algo mais do que cumplicidade ao longo dos anos de amizade, carinho e fanatismo mútuo? 

Em Alice, o outro lado da História, em cena no Pavilhão 30 do antigo Hospital Júlio de Matos, o público é convidado a assistir ao julgamento deste caso real e sobre o qual ainda existem registos fotográficos. O tribunal, o ambiente familiar e o hospício são retratados ao longo da ala hospitalar que todos somos convidados percorrer no seguimento de personagens bem conseguidas, numa história que se baralha entre o avanço e recuo temporal num forte ambiente entre as vontades, o drama, verdade, mentira, amor, lealdade, sofrimento e imaginação que são levados por vezes ao extremo.

Um elenco com grandes capacidades para surpreender ao longo de um espetáculo construido de raiz para se desenvolver no centro de uma ala hospitalar. Existe a destacar o desempenho de Isabel Guerreiro, a grande Alice, que sempre presente ao longo de mais de duas horas de sessão, consegue sair do bem-estar para viver o inferno com uma capacidade exímia. A par da Isabel destaco também, mas aí sem grande novidade, o excelente desempenho de Sofia Nicholson e Paulo Miguel Ferreira, que com duas personagens consegue ter o tom certo, a expressão adequada e a presença exigida a cada momento em que a acção está do seu lado. Todo o elenco está num nível bastante elevado, mas existem sempre, ao longo de cada espetáculo os que nos conseguem chamar um pouco a atenção talvez também pelas características das personagens. 

Da criação à realidade dos factos, Alice, o outro lado da História é uma das produções que todos deverão assistir, numa aposta ganha e bem conseguida da bYfurcação Teatro que não teve medo de arriscar. O público é convidado a não estar sentado para que percorra os vários cenários possíveis para que esta história aconteça e é ai que encontramos toda a magia, um pouco pesada, desta história recontada e vivida por quem consegue entrar nos pensamentos da menina Liddel, na persuasão de sua mãe e nas crenças amorosos de Lewis. No final cada um fará a interpretação dos factos e da história, ficando com o seu próprio julgamento sobre a culpa ou não culpa dos atos de um homem para com uma criança sonhadora e inspiradora. 

Bilhetes para Há Festa na ASA! [16-12-2016]

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A Revista à Portuguesa invadiu a Academia de Santo Amaro no início do ano para uma primeira temporada de Há Festa na ASA! e com o sucesso repentino que o espetáculo gerou, logo foi exigido um regresso para estes últimos meses do ano. Só que agora esta nova fornada de novas sessões também está a chegar ao fim e pela próxima Sexta-feira, 16, às 21h30, será a despedida de Há Festa na ASA! do palco. O Informador para assinalar este adeus tem cinco convites duplos para oferecer aos leitores do blog precisamente para a sessão de encerramento de temporada!

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