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O Informador

Pensamentos que podem ser de qualquer um!

08
Jan18

Nenhuma Verdade Se Escreve no Singular | Cláudia Cruz Santos


O Informador

nenhuma verdade se escreve no singulare.jpg

Autor: Cláudia Cruz Santos

Editora: Bertrand Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Setembro de 2017

Páginas: 248

ISBN: 978-972-25-3478-9

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: A vida pessoal de Amália encolhe ao mesmo ritmo que a atenção prestada à sua vida profissional se expande. Na sua sala de julgamentos entram homicidas, ladrões, traficantes de droga, jogadores de futebol corruptos, deportados ou vítimas de crimes sexuais. Em sua casa, deixou de entrar o homem que ama, e Marta, a menina que acolheu, sonha regressar ao bairro social onde vivia antes de ser institucionalizada. 

Amália passa as noites acordada, presa nas suas muitas perguntas sem resposta, a olhar para um quadro misterioso onde uma mulher engaiolada segura, inerte, as chaves que poderia usar para se soltar — até que resolve, ela própria, ir à procura do que significa a palavra liberdade.

 

Opinião: Primeiramente conhecemos Amália, uma profissional realizada mas que na sua vida intima perdeu a pessoa que amava sem qualquer explicação, tendo ficado para trás, sozinha, com amigos e conhecidos por perto e sem uma vida familiar, sendo no presente uma figura carente e fria. Posteriormente aparece Marta, uma jovem que ao entrar na vida de Amália, tudo altera para bem das duas. Rodeada de problemas familiares e a necessitar de apoio, Marta é acolhida por Amália, mas em seu redor circulam um avô protetor da jovem e um pai onde problema é a sua principal definição. De um momento para o outro a vida de Amália é alterada e as certezas perante a solidão são colocadas em causa, transformando o seu dia-a-dia em torno dos cuidados para com Marta, uma jovem que conquista pela sua força de vontade mas que acaba por se mostrar vulnerável pela vida que já passou onde o abandono lhe provocou fragilidades mas ao mesmo tempo uma maturidade com bases vem vincadas. Com Marta em seu redor é necessário lutar contra a individualidade a que está habituada e esse é um dos pontos fortes desta história. Aprender a partilhar para saber cuidar sem esquecer que quem está do outro lado tem as suas próprias ambições, desejos e vontades. 

Com uma história simples e contada de forma lenta, Nenhuma Verdade se Escreve no Singular é daqueles livros que contam uma história onde não existe vontade de terminar, fazendo com que o leitor se deixe embalar pelas palavras que mostram dois universos femininos que se cruzam em determinados momentos das suas vidas para se ajudarem mutuamente a descobrirem novos horizontes e capacidades. Esta narrativa tem uma particularidade rara de convidar o leitor a desfrutar pausadamente da história criada, absorvendo cada personagem para que se reflita um pouco sobre o que faria se estivesse em determinada situação, não existindo pressa para que se termine a leitura porque a vontade de conhecer o desfecho tem de ser adiada pela força do pressentimento sobre o que poderá acontecer.

A par da história central e por influência da autora, que tem um passado profissional e literário ligado à justiça, ao longo do que é contado somos convidados a conhecer outras vidas, as histórias que são relatadas em julgamento para que sejam avaliadas por Amália. As reflexões da jurista sobre as decisões a tomar e os problemas dos outros são tomados como parte importante desta narrativa por aparecerem em uníssono com as alterações que lhe estão a ser impostas na sua vida particular. 

26
Jul17

Imaculada [Paula Lobato de Faria]


O Informador

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Autor: Paula Lobato de Faria

Editora: Clube do Autor

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Abril de 2017

Páginas: 312

ISBN: 978-989-724-349-3

Classificação: 4 em 5

 

Sinopse: Esta é uma história inspirada em acontecimentos reais em que a dualidade de ser e de parecer, da lealdade e da traição, do amor e da obrigação nos leva a caminhos imprevisíveis.

Portugal, 1956

Tempo da ditadura de Salazar, da censura e da PIDE. Numa família da alta burguesia, no interior do país, o lema "Deus, Pátria e Família" é sagrado. Mas a vida estremece quando na casa dos Correia bate à porta o amor e o desejo de liberdade.

«Apenas um por cento é baseado em memórias e todo o resto na imaginação, mas muitos leitores vão aqui identificar pessoas que conheceram durante a vida, pois os personagens desta trama são gente comum, de carne e osso», avança a autora nas primeiras páginas do romance.

 

Opinião: Situamos-nos em Portugal no ano de 1956, numa época em que o país vivia entre o medo e a pressão do governo de Salazar onde os comportamentos era controlados a favor da censura. Somos convidados a entrar através da obra de Paula Lobato de Faria no interior de Imaculada, o palacete da família Correia onde muito está prestes a acontecer.

Através duma família tradicional que viveu, como tantas outras, de aparências para que os outros não percebessem os dramas que eram omitidos a bem do futuro, conhecemos Cristiana, a jovem noiva de Miguel, um militar bem parecido e melhor amigo do irmão da sua futura esposa, João, um jovem advogado que namora com a melhor amiga da irmã. Este quarteto não surge de forma espontânea porque a época assim o exigia e o bom nome de cada família teria de prevalecer conjugado com os mais próximos, os mais bem parecidos e os que podiam aliar a sua fortuna e forma de aparecer publicamente para que o futuro sorrisse para os dois lados. Namoros forçados, combinados e arranjados pelo pais para que nada falhasse mas será que com um pouco de liberdade longe dos olhares controladores dos mais velhos o idealismo criado não corre o risco de ser desvirtuado?

21
Jul17

Atual leitura... Imaculada [Paula Lobato de Faria]


O Informador

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Viajemos por Portugal na época de Salazar onde a censura e a PIDE coabitavam com uma população com receio e com desejo pela liberdade. Da autoria de Paula Lobato de Faria, Imaculada é uma história inspirada em acontecimentos reais onde as verdades se confundem com as vontades e omissões numa família da alta burguesia que vai percorrendo caminhos imprevisíveis consoante as marés da sociedade em mudança na época. 

Tenho alguma curiosidade para com Imaculada por saber que tem suscitado o interesse dos leitores desde o seu lançamento e por já ter lido comentários positivos acerca desta obra que se apresenta como um «retrato de uma família portuguesa». Este romance da editora Clube do Autor é assim a minha atual leitura!

20
Jul17

Um Mundo de Pernas Para o Ar [Elan Mastai]


O Informador

um mundo de pernas para o ar.jpg

Autor: Elan Mastai

Editora: Bertrand Editora

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Julho de 2017

Páginas: 384

ISBN: 978-972-25-3346-1

Classificação: 2 em 5

 

Sinopse: Estamos em 2016 e no mundo de Tom Barren a tecnologia solucionou os grandes problemas da humanidade: não há guerra, nem pobreza, nem abacates pouco maduros. Infelizmente, Tom não é um homem feliz. Perdeu a rapariga dos seus sonhos. E o que é que uma pessoa faz quando está de coração partido e depara com uma máquina do tempo? Faz uma estupidez.

Agora Tom dá por si numa realidade paralela aterradora (que nós reconhecemos logo como sendo o nosso 2016) e só pensa em corrigir o erro e voltar para casa. Mas é então que descobre uma versão encantadora da sua família, da sua carreira e de uma mulher que pode muito bem ser a mulher da sua vida.

Tem agora de enfrentar uma escolha impossível. Regressar para a sua vida perfeita, mas pouco emocionante, ou permanecer na nossa realidade, um mundo caótico, mas onde terá ao seu lado a sua alma gémea. À procura da resposta, Tom é levado numa viagem pelo tempo e pelo espaço, tentando perceber quem é de facto e qual será o seu futuro.

Cheio de humor e emoção, um livro inteligente e caloroso que é uma poderosa história de vida, de perdas e de amor.

 

Opinião: Um Mundo de Pernas Para o Ar prometia sim, mas não me conseguiu conquistar e acabei por chegar ao final desta leitura com um peso e com um grande prolongamento temporal que não era esperado. 

Comecei entusiasmado e consegui entrar facilmente na leitura, passando entre o real e o mundo criado para lá da mente, mas aos poucos fui perdendo o brilho que senti pelos primeiros capítulos até que cheguei a uma fase em que me obriguei a levar a leitura em diante porque não sou de deixar livros a meio. Genericamente não sou apreciador de ficção cientifica e mesmo em termos cinematográficos é um estilo que opto por não ver, mas pensei que este romance teria os ingredientes secretos para me conquistar mas nem a comédia me conseguiu alegrar ao longo das demoradas e arrastadas horas em que me dediquei a este livro. 

Tenho noção sobre a ideia base do autor e acho que tinha condições para a criar, elaborando conteúdo mas o que enrolou a meio e a forma apressada como terminou esta história de mundos paralelos acabou por me deixar mesmo em algum local onde o seguimento lógico da obra não estava. A tentativa de juntar o romance com a ficção cientifica e uns pozinhos de comédia poderia ter corrido bem, mas dos três o que melhor foi explorado foi mesmo a parte romanceada e um pouco da vida familiar, tendo o resto passado ao lado da essência, sem exploração de casos. Elan Mastai talvez por querer mostrar demais acabou por deixar escapar uma história que se tivesse sido melhor explorada e mais expostas teria corrido melhor. 

26
Mai17

Atual leitura... Todos os Dias Morrem Deuses [António Tavares]


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A escrita de António Tavares já não me é estranha. Em 2015 li O Coro dos Defuntos, obra vencedora do prémio Leya. Agora, ano e meio após o primeiro contacto com as criações do autor, eis que irei pegar em Todos os Dias Morrem Deuses para ver se a experiência de quatro estrelas em cinco volta a ser repetida ou ainda melhorada. 

Nesta narrativa tudo acontece a partir de 1953, ano em que vários acontecimentos importantes aconteceram em Portugal e no Mundo e onde um jovem jornalista se cruza com as conspirações da época para conseguir fugir da censura. Uns anos depois as memórias fazem-se sentir num regresso à aldeia que o viu nascer!

Um romance que espero ser inspirador sobre uma vida que enfrentou várias épocas sociais e que no final da corrida consegue fazer uma retrospetiva sobre tudo o que foi passando. 

18
Mai17

O Leitor do Comboio [Jean-Paul Didierlaurent]


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Autor: Jean-Paul Didierlaurent

Editora: Clube do Autor

Lançamento: Março de 2017

Edição: 1ª Edição

Páginas: 196

ISBN: 978-989-724-346-2

Classificação: 2 em 5

 

Sinopse: O poder dos livros através da vida das pessoas que eles salvam. Uma obra que é um hino à literatura, às pessoas comuns e à magia do quotidiano.

Jean-Paul Didier Laurent é um contador de histórias nato. Neste romance, conhecemos Guylain Vignolles, um jovem solteiro, que leva uma existência monótona e solitária, contrariada apenas pelas leituras que faz em voz alta, todos os dias, no comboio das 6h27 para Paris.

A rotina sensaborona do protagonista desta história muda radicalmente no dia em que, por mero acaso, do banquinho rebatível da carruagem salta uma pendrive que contém o diário de Julie, empregada de limpeza das casas de banho num centro comercial e uma solitária como ele… Esses textos vão fazê-lo pintar o seu mundo de outras cores e escrever uma nova história para a sua vida.

O Leitor do Comboio revela um universo singular, pleno de amor e poesia, em que as personagens mais banais são seres extraordinários e a literatura remedia a monotonia quotidiana. Herdeiro da escrita do japonês Haruki Murakami, dotado de uma fina ironia que faz lembrar Boris Vian, Jean-Paul Didierlaurent demonstra ser um contador de histórias nato.

 

Opinião: O título desta obra de Jean-Paul Didierlaurent remete-nos desde logo para alguém que passa as viagens de comboio a ler. Sim, podemos pensar que o livro irá remeter para tal situação na sua totalidade, mas na verdade esse facto é na maioria das páginas iniciais esquecido, o que logo me deixou de pé atrás para o que estava para chegar ao longo do desenrolar da ação.

Um viajante que faz o seu trajeto de casa para o trabalho de comboio e que vê o seu dia-a-dia laboral ser descrito numa primeira fase da obra, sendo relatado o processo da decomposição dos livros após estarem dias, semanas, meses e mesmo anos nas estantes sem conseguirem ganhar um leitor que os leve consigo. Quem vai desfolhando O Leitor do Comboio vai acompanhando a forma de trabalhar de Guylain e a descrição como atravessa o percurso de regresso à pacatez do seu lar, percebendo aos poucos que enquanto viaja vai lendo pequenos textos soltos, nada de livros, ao longo do trajeto para os outros passageiros da composição que se vão habituando com o tempo a ouvirem o jovem com as suas leituras. 

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