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O Informador

Pensamentos que podem ser de qualquer um!

Pega monstros

pega monstros.jpg

Quem, na sua próxima ou distante infância, não teve vários pega monstros? Tive vários ao longo dos anos e pouco tempo duravam sem terem um destino obrigatório. Pois é, o caixote do lixo transformava-se rapidamente no lar predileto deste gelatinoso entretenimento quando se começavam a encher de partículas que ficavam coladas e transformavam os pega monstros num autêntico pega lixo, pó e tudo o que apanhassem quando eram atirados num autêntico vai e vem. 

Em miúdo achava graça a este nojento brinquedo do estica e encolhe mas na verdade não lhe vejo hoje em dia grande atracão para ter assim tanta piada em andar a atirar aquela nojenta mão a quem passava como forma de assustar ou simplesmente irritar.

Um passado com mágoa!

Há uns dias, derivado de uma conversa, dei por mim relembrando factos de um passado onde uma década já passou mas foi deixando marcas que ainda hoje me fazem ser frio e não conseguir exprimir totalmente sentimentos e proferir palavras que possam dar a entender a verdade do que sinto. 

Amores que marcaram era o tema e a certa altura transferi-me para a fase em que acordei para a vida e onde acreditei ter descoberto o amor. Apaixonado, dando tudo o que conseguia na altura pela pessoa, levando ao mesmo tempo com mentiras, omissões, traições e mais tarde descobertas sobre o que acontecia nas minhas costas. De início não quis perceber o que se andava a passar quando não estava por perto. Tinha uns dezoito anos talvez, a outra pessoa uns vinte e poucos. Era um jovem a descobrir o mundo fora da aldeia e da vila mais próxima. Fui continuando a acreditar que tudo podia mudar, que existia sempre possibilidade para que mais tarde uma reconciliação acontecesse e a companhia percebesse que tinha de alterar os seus comportamentos para bem da relação. Nada mudou com a segunda oportunidade. Quer dizer, tudo parecia ter mudado de início mas depois os erros voltaram a ser cometidos e quem sofreu fui só eu, que voltei a cair sozinho num poço de onde vinha a subir para conseguir respirar e seguir em frente.

Amei, errei por amor, cai, voltei a acreditar e a queda ainda foi maior! Após toda esta situação em que confiei sempre fiquei de pé atrás com as pessoas, não só no amor, mas em todas as áreas! Não consigo fazer amizades com a facilidade geral dos outros, não vejo os colegas de trabalho sem ser somente colegas de trabalho e no amor antes de ter conseguido dar novo passo passou um bom tempo, um tempo em que não deixei que existisse aproximação ao ponto de poder existir paixão e sentimentos. Não me consegui voltar a entregar de forma fácil durante algum tempo mas isso passou, no entanto sei que continuo sendo uma pessoa fria, que penso muito no ego que por aqui vai por ter sempre o receio do que possa acontecer.

Bye Bye Opel Corsa

Opel Corsa.JPG

Praticamente dez anos depois da primeira condução do Opel Corsa que passou de pai para filho, eis o momento do adeus definitivo. Ontem foi o último dia deste carro na minha vida, passou de mãos, dando lugar ao veículo que me acompanhará de agora em diante e se tudo correr bem por uns bons anos. 

Com este Opel Corsa corri Portugal quase de ponta a ponta ao longo de uma década, com chuva ou sol a acompanhar, longas viagens e milhares de quilómetros em cima. Chorei sentado ao vontade, muito ri a conduzir com conversas próprias e impróprias para cardíacos. O velhinho andou por boas estradas mas também correu por trilhos impensáveis como se fosse uma gazela em fuga no meio do arvoredo de caminhos desgraçados. Comi e bebi durante quilómetros nas noites frias em que o aquecimento tardava em aparecer, abri muito os vidros em espera por uma ponta de vento naqueles dias solarengos, bocejei nas horas tardias em que o sono apertava mas era necessário estar atento ao volante.

São várias as recordações de uma década que tenho para com este automóvel, o meu primeiro carro, aquele que o meu pai acabou por me entregar após poucos dias de ter carta de condução. Certamente que corri muito por estas estradas fora graças a quatro rodas que me ajudaram ao longo deste tempo a chegar a todo o lado em segurança. 

Recordar é viver!

Por momentos surgiu-me no pensamento o tema A mula da cooperativa, de Max, e das péssimas figurinhas que fiz em criança perante a família a cantar e interpretar este tema! Hoje vejo que fiz grandes figuras e por isso todos riam e achavam graça às minhas cantorias e danças deste tema.

Uma criança com talvez uns sete anos, uns dentes a menos, uns óculos de tamanho gigante e um esqueleto franzino numa só pessoa, eu eu! Esse ser magricela e sem jeito que interpretava do início ao fim A mula da cooperativa, repetindo a proeza junto de avós e tios quando os papás achavam que era engraçado eu poder dar um pouco do meu show caseiro perante a família!

Que vergonha que senti em relembrar este mau momento do passado bem longínquo e que acabou por me marcar, uma vez que nunca mais esqueci certas imagens de mim próprio a dar às pernas e aos braços enquanto entoava que a mula deu dois coices no telhado...

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