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O Informador

Pensamentos que podem ser de qualquer um!

Pela Água | Teatro Aberto

12.06.18Publicado por O Informador

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O Teatro Aberto apresenta Pela Água, um texto de Tiago Correia, vencedor do Grande Prémio de Teatro Português em 2016, com encenação e dramaturgia a cargo de Tiago Torres da Silva e interpretação de Fernando Luís, Miguel Nunes e Teresa Sobral. Podemos viajar pelo pensamento humano e conhecer perspetivas distintas de uma história transformada em duas mas que culmina num só desfecho através da vivência de dois homens tão diferentes mas paralelamente semelhantes?

Pela Água junta duas personagens masculinas num só local, um espaço que serve de viagem de encontro entre duas gerações distintas onde estes dois homens se auto intitulam como o Velho e o Jovem. Ambos têm algo em comum, uma mulher pela qual se debatem pelos verdadeiros sentimentos que cada um nutria por quem já não se encontra presente. Após a morte da amada, quem mais amou esta mulher ausente das suas vidas mas bem presente em pensamento?

O debate entre as deambulações onde as recordações e os confrontos existem sobre o que cada um sentiu no período em que viveu fisicamente uma paixão que pertenceu a outro. Poderia a mesma mulher amar ao mesmo tempo dois homens distintos, com formas de pensar e estar na vida tão diferentes onde nem os objetivos se conseguem cruzar?

Viajando pelas memórias, percebendo os vários pontos de união entre cada história, o que afastou e uniu dois amantes ao longo do tempo. Os primeiros conhecimentos de um homem mais velho para com a sua esposa que acabou por encontrar num jovem o que não tinha uns anos após o início do casamento. As diferenças de dois seres que amam a mesma mulher e que se entregam de forma tão diferente mas ao mesmo tempo semelhante à mesma amada, encontrando e dando carinho, conhecendo as dores e as mazelas do presente e acompanhando uma vida que nunca foi escondida. 

Sabendo ambos que a iriam perder, quem tinha mais obrigação de cuidar como se a companheira lhe pertencesse de forma total e quem usufruiu do tempo, da companhia, sem pensar no amanhã, sem encargos e somente com o pensamento no presente libertador?

Pela Água encara o balanço de ideias entre gerações distintas da forma de amar o próximo. Afinal o que é o amor? As vivências ficam para sempre na memória, mesmo quando a partida exige espaço e distanciamento de algo que fisicamente já não existe, mas que deixou marcas que necessitam de explicações sobre o desconhecido que tem de ficar resolvido para se ganhar um lugar que nunca foi o seu, o principal. 

Com diálogos que debatem o poder da paixão, da perda e do rancor, Pela Água convida o público a refletir sobre as escolhas que vão sendo feitas ao longo da vida enquanto a troca de desabafos acontece como o poder da água que surge como um escorrer do que foi e já não é.

Num cenário pensado ao pormenor e que segue de encontro ao que o Teatro Aberto sempre apresenta de forma a surpreender, Pela Água é talvez dos espetáculos que melhor passa a mensagem junto do público logo pelos seus primeiros minutos, não só graças ao texto, mas também pela boa prestação dos atores em palco e mesmo da figura da mulher ausente mas sempre presente do início ao fim. 

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Dois homens encontram-se pela primeira vez. Separam-nos a idade e o abismo cavado pela ausência de uma mulher. Quem são estes dois homens? O que os liga de forma tão visceral? Este é o momento de se confrontarem um com o outro e consigo mesmos. Pela água, o caminho adensa-se. As dúvidas emergem e misturam-se com as paixões. E a verdade sobre o que aconteceu oculta-se de novo na corrente.

FICHA ARTÍSTICA

Encenação e Dramaturgia - Tiago Torres da Silva

Cenário - Rui Francisco

Música - José Peixoto

Figurinos - José António Tenente

Com - Fernando Luís, Miguel Nunes e Teresa Sobral

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