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18
Abr16

O Impromptu de Versalhes


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O Teatro Nacional D. Maria II assinala os seus 170 anos com um espetáculo proposto por Miguel Loureiro e inspirado nos textos e obra de Molière, O Impromptu de Versalhes! Inserido numa homenagem ao trabalho em palco e dos bastidores, esta inspiração na grande obra de um dos maiores da representação mundial converte-se no final de contas numa peça de teatro que representa o teatro que por sua vez caracteriza o espírito do teatro. Complicado? Nada disso!

Representando a preparação de um espetáculo que está a ser preparado para ter o Rei como principal convidado na assitência, Molière goza com Molière enquanto autor, encenador e ator que tudo prepara contra o tempo, com a turpe sem rigor e com o convidado a chegar para a grande estreia daquela peça que neste caso e porque está bem mexida através das ideias de Loureiro, consegue durar duas horas onde a crítica está aliada ao humor num texto onde os ferros quentes, as tramóias sociais e a falsidade persistem. 

Inspirado em Impromptu e aliado ao texto de A Escola de Mulheres com uns quantos textos mais no saco, O Impromptu de Versalhes é daquelas produções do Teatro Nacional D. Maria II que quando começa parece seguir um caminho que depois é baralhado para que as personagens passem a ser os atores que irão encarnar outras vidas logo de seguida. No final de alguns minutos o público consegue iniciar a percepção do se está a passar em cima das tábuas com todo o rigor imprimido num texto onde até parece existir um certo aconchego ao acordo ortográfico, o que é negado pelo encenador que prefere ser apelidado por ensaiador, visto que prefere que certas palavras sejam entoadas de outra forma por darem ênfase que as consegue transformar de forma a criar uma certa beleza ao serem ditas. 

Com um elenco sem as grandes estrelas televisivas que muitas das salas nacionais optam por ter por acharem que só assim conseguem encher as suas salas, em O Impromptu de Versalhes existe verdadeiro talento que mostra que a representação em Portugal está tão bem entregue hoje como estará daqui a uns anos com as novas gerações a optarem cada vez mais pelo esforço e estudo que os levará longe na arte que escolheram para a vida. No geral não existem dados menos bons a apontar sobre o elenco, tendo ficado verdadeiramente surpreendido com a descoberta da maioria dos rostos que representaram esta peça onde a qualidade existe, o texto está lá todo, a balbúrdia positiva marca presença ao lado de um cenário simples e que consegue mostrar a alteração de cena para cena sem grandes malabarismos e com um pano de fundo real, as verdadeiras paredes do D. Maria II.

Os 170 anos de uma das principais salas nacionais não poderiam ser celebrados de outra forma, senão com um teatro dentro de um teatro com acesso a Molière que representado pelo verdadeiro talento consegue dar um tema a cada dança que é feita, porque no final de contas tudo serve para celebrar a vida. Que tal dançar agora sob o tema celebratório... «Um bom espetáculo!»? Para ver e aplaudir com muita atenção!

O Impromptu de Versalhes.jpg

Oito dias. Escrever e encenar uma peça para o rei em apenas oito dias. É este o desafio que Molière coloca à sua trupe de atores. É este o desafio que vemos desenrolar-se em O Impromptu de Versalhes onde, perante a incredulidade de todos, Molière se apresenta como dramaturgo e ator de si próprio.  

Um espetáculo que é um ensaio para o grande espetáculo. Ansiedade e expectativa. Debate e incerteza. Virá ele a acontecer? Uma autêntica celebração do ato teatral. Uma ficção sem postulados ficcionais. Esta é uma comédia brilhante sobre o próprio teatro que sobe, pela mão de Miguel Loureiro, ao palco do D.  

Maria II na celebração do seu 170º aniversário.  

 

Ficha artística  

de Molière  

encenação Miguel Loureiro tradução João Paulo Esteves da Silva  

dramaturgia Miguel Loureiro, Rodrigo Abecasis Fernandes, Vera Kalantrupmann  

com Álvaro Correia, Carla Bolito, Inês Nogueira, João Estima, Lúcia Maria, Maria Amélia Matta, Maria Duarte, Miguel Loureiro, Vera Kalantrupmann, Ana Tang, Sandra Pereira, Victor Yovani espaço e objetos cénicos André Guedes figurinos Ana Rita Antunes, Catarina Graça  desenho de luz Daniel Worm danças Miguel Pereira  

assistência de espaço e objetos cénicos Sara Caria  supervisão de figurinos Mariana Sá Nogueira direção de produção Nuno Pratas produção Culturproject coprodução TNDM II  

M/12  

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