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O Informador

Pensamentos que podem ser de qualquer um!

Eu Sou | Resiliente

09.02.18Publicado por O Informador

O Pinguim Sem Asas

Antes de tudo, devo dizer que estive alguns dias a pensar numa das palavras que melhor me define ou aquela que poderia usar para dar título a este texto.

Achei que Resiliente seria a mais apropriada.

Resiliente é aquela pessoa que, por mais obstáculos e fases menos boas enfrente, consegue “voltar à sua forma inicial”. Dito de outra forma, pode ir abaixo com as demais circunstâncias, mas consegue sempre subir novamente para o sítio onde esteve antes da “crise”.

Este texto é capaz de ser um dos textos mais pessoais que alguma vez irei partilhar na internet (mesmo não sendo na minha página).

Quem me conhece sabe que tive algumas fases menos boas na minha vida, bem como alguns obstáculos a superar. A começar na adolescência, que não foi propriamente fácil, até a um dos meus maiores desafios enquanto profissional que ainda hoje, e daqui em diante, estarei sempre a lutar e a desafiar-me diariamente.

A minha adolescência foi pautada por alguns maus momentos. Um miúdo que adorava ir para a escola, adorava ir às aulas, aprender coisas novas, um bocado “nerd”, de repente, vê-se alvo de chacota e de bullying (?).

Uma chacota sem qualquer fundamento, sem qualquer razão de ser. Apenas porque um grupo de idiotas sem “dois dedos de testa” decidiu que eu seria um bom alvo para a sua chacota e regozijo diários.

Foram alguns anos em que “me fechei dentro de mim”, me tornei bastante reservado e introvertido (ainda continuo a ser um pouco, hoje em dia), em que não partilhava grande coisa com as pessoas que me rodeavam e tentava, de certa forma, resolver as coisas sozinho.

Se resolveu alguma coisa? Não. Só serviu para me tornar um miúdo nervoso, ansioso e sempre a temer os maus momentos que poderia passar durante o tempo que permanecia na escola do ensino básico.

Se houve dias em que me fui abaixo? Sim. Se houve dias em que me apeteceu mandar “tudo à fava”? Sim. Se imaginei inúmeros momentos em que me impunha e “os metia no lugar”? Oh, se tive! Se esse dia existiu? Sim, existiu! Uns anos mais tarde, mas não em relação ao dito grupo de idiotas.

Surgiu o dia em que disse a mim mesmo “CHEGA”. Chega de seres rebaixado. Chega de seres humilhado. Chega de seres “capacho” dos outros. Chega de pessoas que só se aproximam de ti por puro interesse. Então impus-me!

E aí comecei a viver a minha adolescência.

Esta atitude foi, talvez, impulsionada pela minha primeira paixão de adolescência, em que a miúda em questão me deu força e alento para me impor e tomar uma atitude, antes que ficasse mais marcado e “mais conhecido” como o “mais humilhado de sempre”. A ela só tenho a agradecer.

Quem me conhece desde estes tempos nota a diferença entre o adolescente que eu era e a pessoa que me tornei. Claro está que a idade e a vida nos ensinam diversas lições e temos que tirar partido da maior parte delas para conseguir evoluir e sermos mais e melhores para nós mesmos e para quem nos rodeia.

Resiliência no facto de mesmo ter ido abaixo bastantes vezes, conseguir (se calhar, tarde de mais, mas ainda a tempo) levantar-me e mostrar a mim mesmo – e aos outros – que mereço respeito. Sou um ser humano e, como tal, mereço respeito como todos os outros. Ninguém é mais do que eu. Somos todos iguais. Merecemos todos ser respeitados.

Algo que também me ajudou a ser quem sou, a crescer e a tornar-me mais responsável e mais “adulto” foi o desafio profissional que me foi colocado nas mãos há cinco anos atrás. Depois de acabar o curso, foi-me oferecido o desafio de gerir um negócio. Um desafio enorme, em que tive alguns meses de formação, em que tive de aprender tudo muito rapidamente e integrar-me rapidamente na dinâmica profissional que isso implicava.

Não me estou a queixar. Nada disso! Apenas relato que me senti bastante ansioso antes de assumir essa posição e, mesmo hoje em dia, por vezes, fico ansioso com determinada situação, determinado obstáculo ou dificuldade que me aparece à frente. Por mais que pense em desistir, acho que não serei capaz disso, pois não faz parte da minha pessoa.

Dificuldades existem diariamente, mas temos que saber lidar com elas. Temos que saber enfrenta-las e saber contorna-las, de forma a seguirmos em frente e conseguirmos alguma paz de espírito e aquela sensação de “dever cumprido”.

Temos de saber ultrapassar estes nossos obstáculos diários, caso contrário, iremos abaixo e não é no fundo do poço que conseguimos resolver o que quer que seja.

Resiliência no facto de, por mais desafios que me apareçam à frente, tive e terei que continuar a ter, forças para os enfrentar e saber como ultrapassa-los.

Um outro episódio onde a minha resiliência foi posta à prova foi na minha fase de perda de peso. Já falei na blogosfera sobre esta minha fase e das dificuldades que passei e nos obstáculos que tive que superar. Nunca tinha sido magro. Nunca tinha estado em boa forma. Nunca me tinha sentido bem comigo mesmo, como me sinto agora.

Foram cinco meses duros e bastantes árduos. Bastantes dores, cansaço, sacrifício, reeducação alimentar e mudança do estilo de vida e da minha maneira de estar e de me comportar perante a comida e exercício físico. Foram alguns os dias em que pensei desistir, tamanhas eram as dores que tinha, tamanho o esforço que tinha de fazer para simplesmente levantar um braço.

Mas não pensei em desistir. Pensei, apenas, na minha saúde e no meu objetivo final. Pensei no que mais queria. Pensei no peso que queria perder. Pensei no que isto iria significar para mim e para a minha saúde. A qualidade de vida que iria obter com este meu “sacrifício”. Naquilo que iria ganhar.

Consegui atingir esse objetivo. Consegui chegar onde me propus. Consegui chegar ao fim dessa fase com a sensação de “dever cumprido”. Nunca me senti tão bem comigo mesmo, como me sinto agora com 30 anos. Se alguma vez pensei que iria estar assim com esta idade? Não. Se alguma vez pensei que iria saber o que era ser magro? Não. Se fico feliz por saber? Claro que sim. O segredo é não desistir. O segredo é determinação e disciplina. É força de vontade. É ter espírito de sacrifício. É pensar no nosso objetivo final. É pensar no que vamos ganhar e não no que iremos perder ou na maneira como o iremos conseguir.

Resiliência no facto de, por mais que pensasse em desistir de tudo e voltar ao estilo de vida antigo, disse a mim mesmo que isso não era opção. Levantei-me e enfrentei todos os dias como um novo desafio, em que me colocava à prova constantemente e dizia a mim mesmo “Tu és capaz, Ricardo!”. Dizia a mim mesmo que ia conseguir. E consegui. E não poderia estar mais contente.

Porque Resiliência é algo que me define. Resiliência é o meu moto. Resiliência faz parte da minha pessoa.

Ricardo Rodrigues

www.opinguimsemasas.pt

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