Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O Informador

Pensamentos que podem ser de qualquer um!

Elmet | Fiona Mozley

16.05.18Publicado por O Informador

elmet.jpg

Autor: Fiona Mozley

Título original: Elmet

Editora: Clube do Autor

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Abril de 2018

Páginas: 288

ISBN: 978-989-724-422-3

Classificação: 2 em 5

 

Sinopse: Daniel está a ir para Norte e procura alguém. A vida simples que levava com a irmã Cathy e o pai desapareceu; tornou-se ameaçadora e sinistra. Viviam os três à margem da sociedade, numa casa que o pai construíra no bosque, caçando e procurando comida. O pai dissera-lhes que a pequena casa em Elmet era deles, mas afinal isso não era verdade. E alguns homens daquela terra, gananciosos e vorazes, começaram a vigiá-los de perto.

Esta é uma história sobre família, amor e violência; uma análise dura e implacável à sociedade contemporânea, ao indivíduo e à realidade, aos conceitos de classe e às discrepâncias entre quem somos e quem somos capazes de ser.

 

Opinião: Elmet é o romance de estreia de Fiona Mozley, que de um momento para o outro vê a sua criação ser nomeada para o Prémio Man Booker, suscitando o interesse por parte da crítica e consequentemente perante os leitores sobre uma história mítica, sombria e com toques bem fortes pelo mundo gótico.

Com Daniel a narrar a sua história, relatando o seu dia-a-dia com a irmã mais velha, Cathy, e com o seu pai, John Smythe, este romance percorre escombros e aldeias meio abandonadas com casas antigas e distantes que acabam por transmitir ao leitor um ambiente de terror, mistério e tirado de um filme de gangsters em ambiente rural e abandonado onde todos parecem ter os seus problemas levados ao extremo que cada gesto e olhares são perturbadores a quem segue os passos de Daniel perante a convivência com seres que mais parecem tirados de um conto retratado em tons de castanho, cheios de machados e marcas de morte por todo o lado. 

O abuso físico e psicológico perante os menores, a força política e territorial entre adultos, os confrontos físicos e a saga familiar de gerações que continuam a lutar pelo seu espaço na história de um local são pontos chave detetados em Elmet, no entanto falta envolver o leitor com todos os processos, falta acentuar a descrição, não deixando somente suaves nuances do que pode ter acontecido. Seria muito mais interessante por parte da autora descrever realmente o que se terá passado quando Daniel perante a força de um homem não sabe ao certo o seu estado pessoal e perante a sociedade enquanto rapaz ou rapariga. Deixar suposições sobre supostas violações. Encontrar falta de pormenores sobre a força física de Cathy perante a morte do filho de Price, o principal rival da família. Existem vários pontos mas não chega somente colocar a situação ao longo da narrativa, sendo necessário desenvolver e isso falha totalmente nesta história. 

Essencialmente vejo em Elmet um pouco de luta pelo poder entre os que pouco têm mas cujo direito está do seu lado e os que lideram e de tudo se servem para liderar, mesmo que rebaixem e usem todos os que estão à sua volta da pior maneira. 

Entre lutas, mortes, permissões e violações, raptos e fugitivos, esta história cativa pela diferença que tem entre tantas outras, sendo uma lufada de ar fresco dentro de um estilo pouco usado na literatura. Agora é necessário pegar nesta premissa e desenvolver, uma vez que este tema pode dar grandes narrativas, o que não acontece, infelizmente, nesta iniciação do que poderá vir de bom por parte da autora daqui para a frente. 

No final, após perder um pouco a curiosidade, acabei por ficar ainda mais desiludido com a rapidez com que tudo acontece, sem emoção e com explicações por serem dadas sobre quem fica e quem perde, uma vez que os reencontros não existem, existindo sim uma confrontação entre Daniel e Vivien, uma personagem que parece não ter sentido ao longo do que vai sendo contado, num encontro nada cativante e revelador que acaba por ditar um fim vazio perante um leitor que esperava ser surpreendido.