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O Informador

Pensamentos que podem ser de qualquer um!

Cancro de desabafos

09.11.15Publicado por O Informador

Há uns dias pelo meu trabalho uma cliente viu em mim um meio de desabafo pessoal após lhe ter perguntado se estava tudo bem. De imediato a dona Augusta, vamos chamar-lhe assim, começou a contar o que se está a passar na sua vida, mais concretamente com o seu filho! Senti-me pequeno, pequeno, pequeno!

Após uns anos a sofrer com o cancro do marido nos intestinos, doença que o acabou por levar, agora é o seu filho mais novo, com a minha idade, que poderá estar prestes a enfrentar o mesmo problema. Duas vezes em tão pouco espaço de tempo é dose, para mais quando tudo já foi vivido e agora poderá estar prestes a ser reavivado. 

Os sintomas apareceram, os exames foram feitos, logo o médico deu sinal àquela mãe que o resultado poderá não ser o melhor e embora tudo esteja em suspenso por serem necessárias quase quatro semanas para se saberem os verdadeiros valores, existe um coração que sofre em silêncio familiar. A Augusta não contou ao filho e a quem a rodeia o que poderá aparecer nos resultados que estarão para sair daqui a uns dias. Ela tem a noção que lhe foi dada no momento, pensa que irá passar por tudo novamente e desta vez com um filho, e não consegue falar com os restantes familiares sobre o que já lhe foi dito.

Um coração de mãe apertado foi o que senti naquele momento em que tudo me parecia cair por pensar que aquele rapaz tem a minha idade e ter sido por isso que aquele momento de conversa também acabou por surgir. Após ter sabido e conseguido aguentar em frente à dona Augusta só me lembro que ao virar costas não consegui aguentar e chorei, tive de fazer uma paragem para apanhar ar enquanto pensava em toda a história, ficando ao longo do dia a matutar naquela situação.

Já passaram umas duas semanas e não existe quase dia em que não pense na dona Augusta, sabendo que ainda não tem os resultados reais consigo! Um coração de mãe que sofre quase em silêncio e que me fez pensar que poderia ser eu a estar no lugar daquele rapaz que novo já poderá estar com o mesmo problema que levou o seu pai há uns anos! Oh vida ingrata!

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