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O Informador

Pensamentos que podem ser de qualquer um!

Às Cegas | Josh Malerman

01.05.18Publicado por O Informador

Às Cegas.jpg

Autor: Josh Malerman

Título original: Bird Box

Editora: TopSeller

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Março de 2018

Páginas: 304

ISBN: 978-989-8869-74-6

Classificação: 3 em 5

 

Sinopse: Vencedor do prémio "This is Horror" para Melhor Livro de Terror. Não abra os olhos. Há algo terrível lá fora. Num mundo pós-apocalítico tenso e aterrorizante que explora a essência do medo, uma mulher, com duas crianças, decide fugir, sonhando com uma vida em segurança. Mas durante a viagem, o perigo está à espreita: basta uma decisão errada e eles morrerão. Cinco anos depois de a epidemia ter começado, os sobreviventes ainda se escondem em abrigos, protegidos atrás de portas trancadas e janelas tapadas. Malorie e os seus filhos conseguiram sobreviver, mas agora que eles têm 4 anos chegou o momento de abandonar o refúgio. Procurar uma vida melhor, em segurança e sem medos. Num barco a remos e de olhos vendados, os três embarcam numa viagem rio acima. Apenas podem confiar no instinto e na audição apurada das crianças para se guiarem. De repente, sentem que são seguidos. Nas margens abandonadas, alguém observa. Será animal, humano ou monstro? Um suspense inquietante que relembra as melhores histórias de Stephen King.

 

Opinião: Suspense e terror são os elementos principais de Às Cegas, a criação de Josh Malerman que conta ainda com vários pormenores de fantástico ao longo de uma narrativa de mistério, receio e ao mesmo tempo de força para que um objetivo concreto seja alcançado. 

Tudo começa quando um fenómeno levado a uma escala global começa por atingir a Rússia, entrando no Alasca e chegando a tantos pontos do planeta que somos levados até Detroit, onde a ação central acontece. De um momento para o outro o cidadão comum se vê confrontado com «algo» que ninguém fica para explicar. Assumindo-se como um vulto mas sem certezas, «algo» surge pelas ruas e locais abertos para que quem olhe assuma um estado de loucura que leva posteriormente ao suicídio. Inúmeras mortes que geram medo a quem vai resistindo e com o caos instalado, todos procuram abrigo, onde isolados, de janelas trancadas e bem tapadas, com a finalidade de não existir contacto visual com o exterior, se fixam, primeiramente de forma mais solitária, mas com o tempo a passar com a procura de outros que estejam ainda vivos e bem nas casas mais próximas para que juntos passam reunir mantimentos e manter a calma para o que poderá estar por acontecer. 

O que acontecerá fora das quatro paredes onde quando é necessário sair todos se mantém de olhos fechados e mesmo vendados para que não incorram no erro de olhar para o incógnito? O mistério vai ficando mais intenso à medida que o tempo passa na vida de um grupo de desconhecidos que partilham uma moradia ainda com luz e telefone mas sem água potável. Um a um todos se foram juntando e se a ideia é a confiança, nem sempre as pessoas se revelam consoante as expetativas dos outros e é a partir daí que o que já corre mal ainda começa a ficar pior. 

De um momento para o outro somos convidados a recordar o passado que parecia presente e a viver um novo presente, onde Malorie, a nossa inicialmente grávida que acompanhamos desde o início dos acontecimentos, parte com os pequenos gémeos em busca de uma vida melhor, com liberdade e onde todos possam ver o que o novo Mundo tem para dar, analisando as transformações ocorridas ao longo dos anos de isolamento e cegueira não exata mas necessária para o futuro da humanidade.

O Mundo como o conhecemos deixa de existir e a partir do momento em que Malorie se vê sozinha com os gémeos na casa onde já foram vários, decide criar regras para a procura de novos horizontes e ao longo dos acontecimentos pesados e vividos em grupo, vamos também acompanhando uma viagem de barco a três ao longo de quilómetros onde o olhar não existe, sendo o olfato e a audição os principais sentidos a serem usados nesta corrida contra o tempo. 

Os sons, cheiros, toques e perceções são reais e o terror do que está do outro lado ou mesmo ao lado de Malorie e dos seus companheiros de viagem pelo rio persiste até ao final onde a paz parece surgir, mesmo que em condições controversas perante o que estamos habituados a ter no nosso mundo apelidado de normal. 

Uma escrita fluída, sincera e real, não com tanta descrição como aprecio neste estilo de narrativa, mas com uma linha bem pensada sobre a forma como todos os acontecimentos vão surgindo perante a situação de cada personagem, criando ligações e reações dispares entre quem enfrenta o mesmo e se mostra tão diferente, como todos nós, que por vidas muito semelhantes que existam, ninguém é igual a ninguém nem consegue seguir as mesmas regras de forma igualitária a quem enfrenta o mesmo problema. 

Às Cegas para além de ter uma boa criação base como elemento chave, consegue ainda mostrar através de um pequeno núcleo vários aspectos que em algum momento de pânico todos nós podemos enfrentar.